Barcelos…a terra que leva seu nome aos quatro cantos do mundo graças a uma lenda imortalizada num galo de barro colorido em fundo saudoso como seus alegres trajes folclóricos. O Galo de Barcelos parece estar entre nós desde sempre, mas a sua estreia fez-se em 1935, numa exposição realizada em Genebra, e sua transformação em ícone nacional, formou-se na era do pop art (i.e. nos anos 50/60) [0] quando cores fortes e vibrantes estavam na moda. Desde então, não existe loja de lembranças onde o vaidoso pequeno galo não faça da sua graça passando do barro às toalhas de mesa e do pano a tantos outros acessórios que possam agradar aos turistas. Contudo, ela não se deixa ficar pelo feito porque durante todo o ano consegue atrair turistas com os mais diversos eventos que realiza: no carnaval, desfila seus Cabeçudos; no início de maio, inicia as romarias minhotas com a Festa das Cruzes que enche a cidade de cor; em junho, celebra suas origens medievais transformando-se numa cidade medieval dando um piscar de olhos ao primeiro dramaturgo português e barcelense Gil Vicente pela teatralidade do evento; em agosto, divulga seus artesãos com uma feira sobre o artesanato e a cerâmica; e em dezembro, fecha em beleza, com uma das mais belas iluminações natalícias do país que nos leva a descrever.

Descrição do evento “A magia de Natal”

     Porquê Barcelos?

O nosso interesse pelas iluminações natalícias faz-nos a todos os anos visitar algumas das cidades do País. Durante os últimos anos, tivemos a oportunidade de conhecer o que Lisboa, Leiria, Figueira da Foz, Coimbra, Viseu, Águeda, Aveiro, Porto, Viana do Castelo, Braga e Barcelos têm para oferecer. Contudo, é Barcelos que a todos os anos mais nos surpreende pela escala, distribuição, densidade e bom gosto com o qual suas iluminações natalícias são colocadas, mas é pela sua superação constante que nos leva a elege-lo como uma das cidades com as mais belas iluminações natalícias do país. Contudo, com alguma contenção o dizemos porque injusto seria para um dos mais belos pinheiros de Natal que a nossa Capital já mais conseguiu erguer na Praça do Comercio ou até mesmo, pelo lindo centro de Leiria que consegue também trazer magia, mas Barcelos, nos rouba o coração porque conseguem transformar o seu pequeno centro num cenário que permite realmente transportar seus visitantes ao mundo encantado do Natal – não teria ela o lema de cidade criativa.

      Viagem ao mundo mágico

Tudo começa em Barcelinhos, a freguesia que olha para Barcelos, da outra margem do rio Cávado, e que Barcelos tem aos seus pés com a sua muralha medieval a guardar a lenda do Galo de Barcelos. A ponte medieval “Peregrinos de Santiago” une as duas margens e o recebe num túnel de luzes douradas. À sua chegada, votos de boas festas são-lhes dado com uma grande estrela de belém iluminada. Sendo que chegou à hora do jantar, fica pelo primeiro restaurante que avista e estaciona no seu estacionamento. Chegou ao gastronómico restaurante “Turismo Lounge”, aconselhado pelo guia Michelin, que promete oferecer sabores inovadores que o leva a provar uma tempura de camarão como entrada e como prato principal, um magnífico risoto cremoso de cogumelos castanhos aromatizado com ervas e queijo parmesão a servir de sustento a uma pata de Ganso confitada que o leva ao céu e o faz trazer de novo até si pelo bom vinho que o acompanha. Como sobremesa, elege uma marcha pelo centro de Barcelos devido à sua ânsia de conhecer o evento que o espera:

Ao sair do restaurante, repara num edifício comprido e iluminado com uma grande vitrine que o leva a espreitar: é um grande presépio chamado de “Presépio a 7 Artes” que retrata a vida quotidiana popular minhota e homenageia seus artesãos e oleiros. De forma a melhor conhecer o edifício, anda mais para a frente e recua percebendo que se trata da Câmara Municipal de Barcelos. Convidado pelas estrelas suspensas avistadas na sua rua perpendicular, enverga por esse caminho que o leva até um pequeno largo com um conjunto de estátuas que retrata o trabalho de poetas por baixo de luzes natalícias em frente ao adornado teatro da cidade. Nesse mesmo largo, um pequeno balão de ar luminoso faz a felicidade dos mais pequenos e graúdos que nele querem entrar para tirar uma foto e com ele deixar-se levar pelo mar de luzes douradas que o faz frente; i.e., a principal rua de comercio da cidade, Rua D. António Barroso, também chamada pelos locais de Rua Direita, encontra-se coberta por um tapete de luzes suspenso nos ares que o leva a por baixo deste alegremente caminhar. A sua mente, começa a transportar-se pela magia do Natal e sem fim à vista, continua caminhando conhecendo as diversas boutiques que ela oferece. Ao longe, começa a avistar umas luzes brancas que o atrai. Sua mente começa a questionar-se: será um pinheiro? Seu foco muda e sua curiosidade faz-lhe, sem se aperceber, apreçar o paço. Quando finalmente consegue identificar o que é, fica admirado em ver que não é um pinheiro de Natal, mas sim, um monumento religioso que se ostenta no meio de um grande Largo cheio de luz. Encontra-se no principal largo da cidade, o Largo da Porta Nova, onde um dos mais importantes monumentos da cidade se ergue relembrando o palco que é durante as Festas das Cruzes; i.e., o Templo do Senhor Bom Jesus da Cruz. Contudo, a chegada até ele é demorada porque o paraíso de luzes aonde chegou o deixa parado a apreciar o espetáculo que presencia e o entonte-se; não sabe para onde olhar, nem por onde começar: as árvores estam cobertas de luzes brancas e estrelas luminosas; as janelas das casas e a arquitetura de seus monumentos recortados com luzes douradas; um carrossel parisiense gira e com ele cristaliza a alegria dos mais pequenos; no centro da praça, um chafariz se ilumina em luzes douradas em frente a uma grande estrutura de luzes coloridas que muda de cores e efeitos – é a árvore de natal que no inicio esperava encontrar. No meio de tanta luz, um galo apagado se identifica e o tás de volta a si. Por traz do Templo, a intensidade luminosa parece diminuída e a sua mente começa a aceitar que é o fim do mundo mágico para onde viajou. Contorna o monumento, e é espantado quando uma grande bola de natal vermelha e um túnel de cores mutantes o recebe. Fica contente por o encanto não ter abruptamente acabado e entra nesse túnel luminoso conforme chegou a Barcelos e no fim, um treinó com renas luminosas o espera para como levar consigo a magia do natal que viveu…continua a sua caminhada encantado e nota que a grande praça do seu lado direito, se encontra também contagiada pelo mundo mágico que acabou de sair.

Um pouco de história com uma dedicatória a todos os Nunos desta vida

Falar sobre Barcelos e não abordar a sua história seria como ir a Paris e ignorar a torre Eiffel já que a sua história remonta à era pré-histórica e começa na história de Portugal quando o primeiro Rei e Fundador de Portugal D. Afonso Henriques a torna vila no século XII. Contudo, a sua importância histórica vai muito para além desse facto: no início do século XV, seu grande desenvolvimento se inicia quando o então Conde de Barcelos, o Condestável Nuno Álvares Pereira, o dá como dote no casamento da sua filha minhota D. Beatriz com D. Afonso I de Bragança – casal fundador da casa de Bragança; i.e., a última casa monárquica reinante em Portugal de 1640 a 1910 [1].

Pela importância desse Conde, relembramos quem ele era: foi o general da tal batalha de Aljubarrota que muitos se lembram e de tantas outras, que teve a mestria de comandar com forças militares em número substancialmente inferior ao inimigo e vencer todas elas na defesa da independência de Portugal por parte de Castela (i.e. Espanha). A sua primeira grande vitória frente aos castelhanos deu-se na batalha de Atoleiros em que pela primeira vez, na península Ibérica, um exército a pé derrota um exército com cavalaria pesada em Abril de 1384. Feitos sucessivos preenchem as páginas da epopeia portuguesa escrita pelo grande escritor português Luís Vaz de Camões na sua emblemática obra “os Lusíadas” que caracteriza o Conde como o forte Nuno mas o povo chama-o de Santo Condestável porque, no final da sua vida, enverga pela vida religiosa tornando-se carmelita [2]. Nuno…um nome tão importante na nossa história e que continua a ser carregado pelos mais valentes dos portugueses.

Fotos do evento:

Localização do evento e caminho a pé:

Referências:

[0] Galo de Barcelos. Acedido em: 14, dezembro, 2023, em: https://www.cm-barcelos.pt/visitar/artesanato/galo-de-barcelos/

[1] Barcelos. Acedido em: 14, dezembro, 2023, em: https://www.visitportugal.com/pt-pt/content/barcelos

[2] Nuno Álvares Pereira. Acedido em: 14, dezembro, 2023, em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nuno_%C3%81lvares_Pereira

Créditos:

Texto e Fotos da autoria da Sanperio by Isabel – fotos tiradas no evento “A magia do Natal” em 12/2023.

Nota:

Não existe conflitos de interesses nem subvenções que possam ter enviesado a viagem descrita já que é unicamente e autenticamente baseada na experiência da Isabel by Sanperio.

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Uma resposta a “Viagem ao mundo mágico de uma cidade criativa”

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