Conhece alguma empresa ferroviária que tenha construído um caminho-de-ferro transcontinental de 5000 km e hotéis de luxo para fomentar o seu uso? Nós desconhecíamos, até ao dia que em Québec, no Canada, deparamo-nos com um palácio de arquitetura “neo-chateau” e vitoriana, denominado por “Château Frontenac”, a erguer-se no cume de uma montanha em cidade Norte Americana – a perplexidade e curiosidade levaram-nos a pesquisar: a empresa ferroviária “Canadian Pacific Railway”, decidiu, após a conclusão em 1885 do caminho-de-ferro que ligava as Províncias Canadianas do Oceano Pacífico às do Atlântico Norte, construir uma série de hotéis de luxo para atrair turistas de elite para as suas viagens de comboio [0][1]. Um projeto megalómano que levou à construção de, não 1, nem 3 hotéis, mas sim de, 24 hotéis. Hoje, metade mantém-se em atividade, marcando a paisagem de suas cidades, conforme o palácio avistado que desde 1893 [2] enche a cidade de Québec com o glamour de outros tempos. O charme dessa cidade, assim como a feérica aventura de natureza que se seguiu, nos leva a dedicar-lhe este post com o intuito de fazer-vos transportar ao encantado mundo invernoso da antiga capital da Nova França.
Viagem à cidade de Québec
Saindo de madrugada da cidade de Montreal, entusiasmado conduz em direção à cidade de Québec. Três horas de viagem aparecem-lhe no GPS, mas acredita que por menos consegue chegar ao destino já que a sua ânsia de chegar o prevê acelerar. Contudo, uma tempestade de neve dá volta aos seus planos; um forte vento faz deambular o seu carro e com firmeza segura no volante sabendo que não pode travar bruscamente por perigo de despiste, pelo que abranda, é a sua única hipótese. Dá por si paciente, nessas largas estradas com uma fileira de cada lado de altos pinheiros que embelezam o caminho, mas que a sua invariabilidade, o faz lutar contra um sono que seu estado de alerta não o deixa sucumbir. Uma viagem morosa tem pela frente, mas quando avista o destino, é presenteado com um encantador palácio que tudo o faz esquecer; é o tal “Château Frontenac”. Encontra-se animado e o seu único objetivo é naquele momento o alcançar: entra na cidade e altos edifícios o recebe quando avista uma fortaleza que o faz questionar se é a França. Atravessa a sua muralha e entra no seu centro histórico que o cativa pelo seu charme arquitetural e que o leva a melhor entender a sua cultura: suas fortificações, como que protege, não somente a língua francesa e seu legado, que sua província relutantemente não quer esquecer, mas que inevitavelmente se deixa influenciar pelo seu presente inglês, dando assim forma a uma identidade própria e espelhada pela sua arquitetura. De forma a melhor os conhecer, estaciona o carro e caminha até a um restaurante para como os locais dejejuar: um “brunch”, tipicamente inglês, é-lhe servido em francês, com ovos, bacon, salsichas, feijão, batata e torradas com manteiga acompanhado de sumo de laranja e café – uma ração de combate, mas que bem lhe cai depois da sua longa viagem.
Cheio de energia, decide caminhar pelas charmosas ruas da cidade em direção ao “Château Frontenac” quando nisto, a neve começa a lentamente cair e a encantar o palácio que está preste a conhecer: o episódio, o faz jubilar, e entrando no hotel, é sem aviso prévio, transportado pela beleza de outros tempos da era romântica do impressionismo e da belle époque. O ambiente enfeitado com lindos pinheiros de Natal o deixa absorvido, mas tudo o que pretende ainda fazer, o leva a sair e dá por si nos terraços da cidade sobre o rio são Lourenço; i.e., o rio por onde os colonos Franceses entraram no país. Uma escada o incentiva a descer devido ao aglomerado de pessoas que vê na baixa da cidade. Chega ao bairro “Petit Champlain”; um bairro onde comerciantes e artesãos residem. Ali, diversas lindas boutiques e restaurantes aguçam a sua curiosidade e o envolve em um aroma de waffles, crepes com chocolate e leite achocolatado quente. O aroma se espalha pelas suas pequenas ruas quando nisto, se depara com uma grande pintura mural num dos seus edifícios que desafia a sua perceção – uma obra de arte, que o deixa a apreciar e o incentiva a conhecer o resto da cidade. Sobe de novo pelas escadas por onde veio e uma torre de igreja aguça-lhe a curiosidade em conhecer: encontra-se na catedral Nossa Senhora de Québec; o primeiro templo católico do Canadá, que viu a sua construção iniciar em 1647 e seu fim, em 1843, que o recebe num estilo neoclássico. Ao sair, é surpreso com uma loja que durante todo o ano vende decorações natalícias, e no seu regresso, avista uma caleche com um cavalo que relembra a época pela qual acaba de viajar. O episódio faz-lhe questionar como os nativos, i.e., os inuítes, se locomoviam em tempestades de neve e nisto, lembra-se dos programas do canal televisivo Nacional Geographic onde uma imagem com cães a puxarem um trenó no meio de uma floresta nevada vem-lhe à memória. A visão, se transforma em desejo, e já não consegue deixar o país sem o vivenciar.
Atividade de trenó com cães
A vinte minutos de Québec, identifica uma instância de atividades de natureza que rapidamente o empolga pelo seu nome inuíte: “Inukshuk” – de facto, promete. À sua chegada, se prepara para a aventura e entra num autocarro escolar amarelo que o faz transportar às visitas de estudo da sua infância. As suas lembranças, são-lhe após alguns minutos, interrompidas pela sua chegada a um grande canil de 200 cães de raça Husky e Mamute-do-Alasca. Após uma breve explicação de como o trenó se guia, instala-se no trenó e os cães começam em equipa a seguir a guia que indica o caminho. Dá por si, a analisar a equipa de 4 cães que lhe puxa o trenó em pares: os dois primeiros, mais delgados e energéticos, puxam o trenó para a frente, e os dois de traz, mais robustos e calmos, asseguram-se que a carruagem se mantem na pista – um trabalho de equipa, onde a diferença se complementa, para produzir uma fórmula ganhadora que o inspira. Nisto, o encanto da paisagem o faz cair em si: apercebe-se que de facto, conforme o desejado, está mesmo a escorregar pela tração de seus companheiros de viagem em uma floresta Canadiana revestida imaculadamente de branco – uma enorme gratidão e emoção enche-lhe o coração deixando-se absorver pela natureza que o envolve; os pinheiros, enchem-se de encanto com grandes tufos de neve sobre seus relaxados ramos e os plátanos, despidos de sua verdura, revestem-se com o glamour do cristal glaciar. Ambos, se ergam sobre um manto branco de neve e o todo, se encontra iluminado pela mágica luz polar. O caminho estreita-se, curva-se e a vegetação se aproxima. Dá por si, no meio do feérico mundo da Nova França.
Veja o vídeo que preparamos para complementar a sua leitura
Sabe qual é a relação entre o Canadá e Portugal?
Se não souber, leia o interessantíssimo post anterior, que através da história de uma iguaria da culinária portuguesa, conta resumidamente a história de Portugal até aos dias de hoje, passando pela relação de Portugal com o Canadá, porque por pouco, o brunch neste post descrito, podia ter sido servido em português.
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Referências:
[0] Canadian Pacific. Acedido em: 29, dezembro, 2023, em: Railwayhttps://www.thecanadianencyclopedia.ca/en/article/canadian-pacific-railway
[1] Grand railway hotels of Canada. Acedido em: 28, dezembro, 2023, em: https://en.wikipedia.org/wiki/Grand_railway_hotels_of_Canada
[2] Château Frontenac. Acedido em: 29, dezembro, 2023, em: https://fr.wikipedia.org/wiki/Ch%C3%A2teau_Frontenac
Créditos:
Texto, Fotos e Vídeo da autoria da Sanperio by Isabel – fotos tiradas aquando à nossa visita aos locais descritos em 12/2022.

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