Na Espanha Galega nasce seu rio, que em Portugal entra protegido pela natureza do parque nacional da Peneda-Gerês para depois passar por uma lendária legião romana na encantadora vila de Ponte de Lima que traz seu nome, antes de desaguar na foz onde prospera. Sim, estamos a falar da linda cidade de Viana do Castelo onde o coração, é o seu emblema, e a alegria, a sua filosofia de vida, expressa em todas as romarias que festeja. De facto, neste ano em que a alegria carnavalesca se mistura com o amor do São Valentim, não havia melhor destino para fazer-vos viajar por Portugal durante estes dias.
Visita a Viana
A nossa visita começa pela praia que se encontra na margem sul do rio Lima; i.e., a praia do Cabedelo. As suas boas condições de acesso, assim como o seu moderno balneário público, indicam que está numa praia diferente. Lindas dunas o recebem e acompanham-no na sua meta em chegar ao farol que ao longe avista. Durante a sua caminhada, do seu lado direito, aprecia a foz do rio Lima onde o panorama da cidade de Viana do Castelo se forma a cada passo que dá. A meio caminho, do seu lado esquerdo, é surpreendido por uma linda praia curvilínea com um grande areal de areia fina e dourada onde ondas baixas e vento constante tornam-na num paraíso para os amantes de desportos náuticos. Surf, bodyboard, windsurf e kitesurf salpicam-lhe o panorama que o deixa a apreciar as proezas de seus praticantes, assim como os pescadores que tentam a sua sorte à volta do farol que acaba de alcançar. Uma vista desafogada sobre o oceano Atlântico dá-lhe a vontade de ir mais longe, e aí percebe, o que fez os nossos antepassados quererem o descobrir. Depois dessa reflexão, vira-se, e dá por si a apreciar o panorama ali formado da linda cidade de Viana do Castelo que se encontra agraciada com tudo o que a natureza poderia-lhe oferecer: o rio aos seus pés, o mar a oeste e uma serra em pano de fundo a proteger-lhe dos ventos do Norte com um santuário no seu pináculo a faz-lhe lembrar à Basilica “Sacré Coeur” de Paris. Paris, vem-lhe à memória porque a travessia do seu rio é feita por uma ponte de ferro de tom verde construída pelo mesmo autor da torre Eiffel de Paris ao qual também lhe deu o seu nome. A vontade de conhecer a cidade que admira o faz regressar ao ponto de partida e dirigir-se até ela em busca de uma Bola de Berlim para marcar o início da sua exploração. Acaba na afamada pastelaria Manuel Natário que com 85 anos de história, consegue o feito de a todos os dias ter uma fila para provar-lhe a iguaria: com uma fornada no período da manhã entre as 11:30h e as 14:00h, e no período da tarde, entre as 16:30h e as 18:00h, estar no início desses horários é aconselhável para garantir-lhe a prova onde o período da tarde está assegurado a todos os dias da semana, excepto à terça-feira, por ser o seu dia de folga. Depois da espera, conseguir uma mesa nessa pequena pastelaria de meados do século 20, se torna numa conquista brindada com uma Bola de Berlim acabada de fazer envolta de açúcar e canela. Com ela ainda morna, tira-lhe a prova: fofa, pouco gordurosa, doce o quanto basta e recheada com um creme que não sabe em demasia aos ovos, a eleva a uma das melhores Bolas de Berlim da sua vida. Satisfeito, encontra-se pronto para conhecer a cidade.
À saída da pastelaria, avista do seu lado direito uma praça que o atrai. Caminha até ela empolgado com o que antevê, e à sua chegada, é acolhido pelo centro histórico da cidade: chegou à praça da Républica, ao coração da cidade, onde um chafariz renascentista se encontra rodeado dos mais importantes monumentos da cidade que contam a sua longa história através da sua diversidade arquitetónica; um edifico medieval de 3 arcos de estilo gótico marca a importância da cidade, uma casa de estilo renascentista e barroco transmite a prosperidade que a cidade cedo alcançou e os edifícios da belle époque e art déco presentes, em conjunto com o edificado pós-modernista previamente identificado junto ao rio, denota o gosto que seus moradores têm em acompanhar as tendências. Explora as suas ruas afluentes, motivado pela sua eclética arquitetura e brio com o qual os Vianense mantêm a sua limpa cidade, quando nisto, avista entre as suas ruas o Santuário no topo do seu monte que o relembra de o visitar.
De volta ao carro, dirige-se até ao Santuário onde à sua chegada, um deslumbrante panorama rouba-lhe o coração e fica a perceber como em 1927, a revista National Geographic, o classificou como o 3º melhor panorama do mundo [1]. Antes de regressar a casa, decide explorar o seu monte, quando nisto, vê um cavalo selvagem de pelo castanho. Seu entusiasmo o faz encostar o carro, dele sair e lentamente caminhar em direção ao cavalo avistado para poder melhor o identificar. Apercebe-se que é uma das raças mais antigas e em vias de extinção do cavalo ibérico – o Garrano; i.e., o cavalo montanhoso assilvestrado e nativo do Minho e Trás-os-Montes onde se estima só existir atualmente entre 1500 a 3000 cavalos dessa espécie. Seu temperamento dócil, o faz aproximar para algumas fotos tirar, e de regresso a casa, a sorte de os ter visto, os panoramas admirados e os sabores provados, criam-lhe recordações que ficam por contar.
Breve História Económica
Desde da sua fundação em 1258, Viana da Foz do Lima, como era antigamente chamada, tem prosperado como um importante entreposto comercial devido ao comércio marítimo que detinha com o norte da Europa onde talheres, tecidos, tapeçarias e vidro eram importados e fruta, sal e vinho exportados [1]. Este último, atraiu comerciantes ingleses que depois de averiguarem que seu povo não apreciava muito os vinhos leves e adstringentes minhotos, dirigiram-se para o Alto Douro em busca de um vinho mais robusto e encorpado que aguentasse melhor a viajem até à Inglaterra – aqui se dava os primórdios do vinho do Porto onde os comerciantes ingleses de Viana se estabelecem na região do Douro e em 1678, as primeiras exportações do mesmo se registam [2]. Contudo, Viana não fica para traz e prospera em outros bens: no século 20, torna-se num dos principais portos portugueses de pesca do bacalhau e alberga a maior empresa publica de construção naval do país (chamada por ENVC) onde ferry-boats e navios de pesca eram contruídos. Atualmente, após a extinção da ENVC, o investimento privado reergue o que da ENVC restou, com a ambição de o posicionar como num dos mais importantes estaleiros de reparação naval da Europa e seu futuro, até parece risonho, já que um cruzeiro de luxo de 150 passageiros está neste momento a ser construído para um grupo nipónico, navegando assim, em direção à gloria de outros tempos.
A Lenda que deu origem ao seu nome
É dito que antigamente existia um castelo onde atualmente a cidade de Viana do Castelo se encontra. Nesse castelo, residia uma bela princesa de nome Ana que depois de ser avistada por um apaixonado cavaleiro, terá dito vezes sem conta: “Vi a Ana! Vi a Ana do castelo!”. De tanto o dizer, Viana do Castelo ficou seu nome.
Atualmente, seu castelo é o Santuário do Sagrado Coração de Jesus que no topo do monte de Santa Luzia compõe a sua paisagem intitulando-se como o cartão-de-visita da cidade. Coincidência ou não, seu culto é trazido ao peito no traje folclórico Vianense, onde conjugado com brincos à rainha e no meio de tantos outros fios de ouro, encontra-se um flamejante coroado coração feito em filigrana portuguesa de ouro a se destacar sobre um colete vermelho e preto a condizer com uma saia balão de mesmo tom onde um padrão florido e multicolor se encontra bordado para assim formar o ex-libris dos trajes folclóricos portugueses. Com orgulho, é vestido por quem personifica a lavradeira de outros tempos numa alegre dança folclórica onde o som de concertinas e castanholas soam pelas ruas da cidade em dias de festa ao ritmo do bater das socas pretas das dançarinas que em cada volta que dá, faz brotar a alegria de seus espectadores, que quando emigram, o reproduzem além-fronteira para com emoção matar a saudade…a saudade de Viana, da nossa terra, do nosso Portugal.
Veja o vídeo da viagem mental que acaba de fazer por Viana
Referências:
[1] Viana do Castelo. Acedido em: 09, Fevereiro, 2024, em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Viana_do_Castelo
[2] Taylor´s. Acedido em: 09, Fevereiro, 2024, em: https://www.taylor.pt/pt/o-que-e-o-vinho-do-porto/historia-do-vinho-do-porto/o-nascimento-do-vinho-do-porto
[3] Martifer ganha contrato de 100 milhões no Japão para construir navio em Viana. Acedido em: 09, Fevereiro, 2024, em: https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/industria/detalhe/martifer-ganha-contrato-de-100-milhoes-no-japao-para-construir-navio-em-viana
Notas:
Foto de destaque do coração de Viana em filigrana Portuguesa – foto retirada do site ejoias onde a Sanperio by Isabel não tem nenhuma relação.
Texto e Vídeo de autoria própria – fotos do vídeo tiradas em 2023 e 2024, aquando a nossa visita ao local de livre e espontânea vontade sem patrocínio de quaisquer entidades ou empresas que possam ter enviesado a opinião ou viagem relatada.

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