Quando pensamos no que umas singelas plantas podem fazer por nós, tanto a nível da desinfestação do nosso lar, como da melhoria da nossa saúde e dos nossos cozinhados, conferindo-lhes beleza e sabor, o desejo de as ter por perto cresce em nós tornando-se num requisito. De facto, não é por acaso que à porta da época primaveril, este requisito tenha feito objeto do último artigo da nossa série de posts intitulada por “uma casa de sonho” com a construção de um canteiro (https://sanperio.com/2024/03/02/uma-casa-de-sonho-requisito-3-um-canteiro-de-ervas-aromaticas-perto-da-cozinha-e-incorporado-no-design-da-casa/) que hoje o complementamos com a explicação do seu plantio já que a época do cultivo de ervas aromática está a iniciar em Portugal.

Assim sendo, hoje indicamos como as ervas aromáticas devem ser plantadas e distribuídas por um canteiro de forma a ter um cultivo mais duradouro e potenciador de seus benefícios já que as propriedades das plantas são otimizadas quando crescem em condições favoráveis que vão de encontro às suas necessidades; nunca se deparou com um alecrim pouco cheiroso, ou com outra erva aromática que não se tenha desenvolvido bem? Leia então este post e fique a conhecer como pode este ano ter um lindo e produtivo canteiro de ervas aromáticas em sua casa para o inspirar em cada cozinhado e não só.

Como plantar ervas aromáticas?

As plantas aromáticas devem ser, por regra geral, plantadas de 30 em 30 cm com um substrato específico para legumes (usamos o siro horta) e quando cultivado em canteiros, usar floreiras com no mínimo 30 cm de profundidade onde convém colocar no seu fundo uma base de leca para dar drenagem ao solo antes de colocar a terra do seu jardim misturada em partes iguais com um substrato que o irá fertilizar. Se a sua terra for densa, na floreira que plantar as ervas perenes (e.g., alecrim e tomilho), pode misturar à terra um pouco de areia para produzir um solo mais leve que vá de encontro às necessidades deste tipo de planta. Caso contrário, a mistura de terra com substrato é suficiente – aconselhamos essa mistura porque se usar unicamente substrato, acaba por ter que regar mais as suas plantas porque o substrato não retém tanta humidade como a terra habitual portuguesa.

A nível de tipo de floreiras usadas, o canteiro anteriormente exposto, levou 3 floreiras de plástico de 78 cm de comprimento por 39 cm de largura e 33,5 cm de altura, o que permite cultivar até 6 plantas adultas. Sendo que a maturidade das ervas aromáticas plantadas só será atingida durante o verão, as intercalamos com violas (i.e., amores-perfeitos) para até lá comporem as floreiras com beleza e auxiliarem no empratamento dos pratos do almoço da Páscoa já que quando o calor chegar, esta planta definhara-se deixando lugar às ervas aromáticas plantadas.

Para ter um canteiro duradouro, aconselhamos que plante a hortelã num vaso separado; a hortelã, é uma planta categorizada como invasora porque cria ramificações por baixo do solo que produzem novas plantas que acabam por absolver os nutrientes e a água das plantas companheiras que aos poucos estrangula. Um processo aterrador, mas que permite a sua sobrevivência para assim repelar a borboleta da couve, as formigas e os ratos [1] atrevidos que queiram estragar as nossas culturas ou em casa nos surpreender. Sem falar das suas propriedades medicinais que bem cai depois de uma faustosa refeição devido às suas propriedades digestivas e antibacterianas usufruídas quando consumidas em chá, tornando-se assim, numa mais valia à porta da nossa cozinha. Contudo, esta erva aromática não é a única com propriedades interessantes: o forte cheiro do manjericão repela moscas e mosquitos; o do alecrim e do tomilho, também afastam a borboleta da couve, e a salsa, alguns escaravelhos, assim como a mosca da cenoura [1] – uma armada silenciosa na ajuda da desinfestação do lar e das hortas biológicas.

Como distribuir as ervas aromáticas pelo canteiro? – um exemplo prático para se inspirar

Considerando as necessidades de cada planta (ver Tabela 1), definimos a sequência do plantio: plantamos o alecrim junto ao muro da casa porque é uma planta que gosta de calor e junto à parede, irá beneficiar do calor por este refletido. De seguida, plantamos um tomilho por ser também perene, e assim ter, as mesmas necessidades do que o alecrim. Na floreira seguinte, plantamos a salsa e o manjericão juntos por ambos serem anuais e assim terem também as mesmas necessidades de solo e rega. Acabamos por plantar o manjericão a meio do canteiro por ser um local mais abrigado e não tão quente como o canteiro perto do muro, mas também, não muito longe da porta de entrada da cozinha, de forma a usufruir os seus benefícios repelentes de moscas e mosquitos tão indesejados dentro da cozinha e não só. Por fim, rematamos com uma vivaz e uma anual (i.e., um cebolinho e por fim, outra salsa), porque têm necessidades similares, especialmente de rega, apesar de terem ciclos de vida diferentes. Para quem gosta de coentros, teria aqui colocado coentros em vez de salsa, já que os coentros são mais tolerantes a temperaturas elevadas do que a salsa e têm um crescimento também mais regular, acabando assim melhor o canteiro.

Necessidades das ervas aromáticas

De forma a terem uma rápida compreensão das especificidades das diversas ervas aromáticas, construímos para o vosso melhor entendimento a tabela abaixo que apresenta as necessidades gerais das plantas pelo seu ciclo de vida. Assim sendo, o tipo de exposição solar, solo, local, possíveis plantas companheiras, cuidados e tempos de poda estão na Tabela 1 especificados, após a descrição sintética dos diferentes tipos de ciclo de vida, para assim poderem melhor conhecer como as pode cultivar para potenciar os seus benefícios.

Anuais: plantas que germinam, florescem e morrem completando um ciclo de vida num ano ou menos; e.g., Salsa, Coentros, Manjericão e Manjerona [2] – pelo que a todos os anos precisa de comprar novos pés ou ir semeando.

Vivazes herbáceas:  plantas onde a todos os anos a folhagem morre na época do frio, mas as raízes não, sobrevivendo e voltam a crescer de novo na Primavera; e.g., Funcho, Estragão, Hortelã e Cebolinho [2] – esse tipo de planta não tem caules lenhosos e são por norma mais resistentes do que as anuais.

Perenes: plantas arbustiformes que possuem caules lenhosos e que têm uma folhagem persistente durante todas as estações do ano; e.g., Lavanda, Alecrim, Tomilho, Loureiro e Orégão [2].

Veja neste vídeo como plantamos e distribuímos as ervas aromáticas descritas e inspire-se!

Referências:

[1] Horta biológica – 8 plantas amigas!. Acedido em: 06, março, 2024, em: https://cultivosdacaseiro.pt/plantas-da-horta/as-8-plantas-amigas-da-horta-biologica/

[2] Como cultivar ervas aromáticas: anuais, vivazes e perenes. Acedido em: 06, março, 2024, em: https://cultivosdacaseiro.pt/ervas-aromaticas/como-cultivar-ervas-aromaticas-os-3-grupos/

Créditos:

Texto, fotos e vídeo de autoria própria.

Agradecimentos:

Obrigada à Ria Garden, um horto com uma vasta seleção de plantas em São Martinho de Árvore, Coimbra, que nos enche de alegria a cada visita por toda a variedade de plantas que oferece, conjugada com a simpatia e ajuda que seus funcionários prontamente disponibilizam.

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