Se existisse há cerca de 7 024 anos atrás, hoje seria certamente convidado para reunir-se com seus semelhantes para celebrar um dos maiores eventos do ano. Qual seria o motivo de tanta celebração? É o que iremos neste post desvendar, onde não nos limitaremos em simplesmente o enunciar, porque pela escrita e vídeo, iremos também fazer-vos transportar até ainda hoje existe vestígios de tal festejo. Curiosos? Deixe-se connosco viajar no tempo e descubra onde todos estaríamos por estes dias

Visita ao Cromeleque dos Almendres

Um passeio pelos suaves montes Alentejanos do distrito de Évora é-lhe hoje suscitado. Pelo caminho, encontra pelos seus verdes prados singelamente floridos, cavalos como que se abraçam e bois que atentamente o observa. Mais adiante, um campo dourado de trigo o faz parar, para nele se perder. Como os seus antepassados, começa a se conectar com a natureza e sente-se em paz; pronto para celebrar o grande dia de hoje. Continua o seu caminho, e no meio de uma plantação de sobreiros, avista uma tabuleta a indicar que chegou ao Cromeleque dos Alemendres… Não percebendo do que se trata, a curiosidade o faz parar neste sítio, no meio do nada, a 12 km a oeste da cidade de Évora.

Depois de uma pequena caminhada, avista um aglomerado de pedras pré-históricas de tamanho variável (menires), ovalizadas e cravadas verticalmente no solo. O passar do tempo, fez-lhes crescer algum musgo e pintou-lhes num dégradé de cinza e de castanho cor de ferrugem, como para as embelezar, mas o mistério transcende-lhes a beleza, e o incentiva a procurar pela sua razão de ser. A procura, transforma-se em ambição durante a observação dos seus 95 menires graníticos [1], dispostos em forma elíptica virada para nascente numa suave encosta de um monte alentejano a 413 metros de altitude [2], como para bem observar o horizonte. Por respostas, procura nessas pedras sobreviventes por uma gravura que seja, quando nisto, no menir 58, descobre três representações de discos solares envolto de um sentimento de conquista [2] – percebe que chegou ao seu destino de hoje. Encontra-se num cromeleque elíptico, num santuário pré-histórico, onde rituais religiosos e astrológicos eram por estes dias celebrados [2] [3] [4]. Assim sendo, se existisse há cerca de 7 024 anos atrás, e vivesse num dos povoados neolíticos perto deste cromeleque, hoje seria certamente convidado para este recinto com os seus amigos e familiares para celebrar o astro rei. Sim, estamos a falar do Sol, que hoje nos dará o dia mais longo do ano, chamado de solstício de verão, anunciando o início de uma estação sinónima de abundância e fertilidade, apesar de este ano, em Portugal ter timidamente iniciado.

Olhando para o seu desafogado horizonte, imagina-se em tempos pré-históricos: a olhar para um pôr do sol que se alinha com o cromeleque, onde fogueiras no seu centro se acenderiam, acreditando-se que dessem força ao sol para ali voltar a aparecer durante o resto da estação, para assim garantir, um bom ano de colheitas [5].

Sabia que o Cromeleque dos Almendres é um dos mais importantes monumentos megalíticos do mundo?

Apesar do cromeleque dos Almendres não ser tão imponente como o famoso Stonehenge da Inglaterra, ele é muito mais antigo, daí a sua importância no mundo. Relembramos que enquanto o magnífico Stonehenge foi iniciado por volta de 2400 a.c. [6], ou seja, durante a idade dos metais, o Cromeleque dos Almendres, foi construído na era histórica anterior: i.e., durante a idade da pedra, mais precisamente, durante o período da pedra polida, também chamado de período Neolítico, já que a sua construção se deu entre os anos 5000 a.c. e 4001 a.c. [2] [7].

Relativamente à sua dimensão, os menires que compõem este cromeleque são maioritariamente baixos, apesar de alguns atingirem 2.5 a 3 metros de altura [2], pelo que a sua importância se dá com a sua quantidade e não seu tamanho, elevando-se ao estatuto de maior conjunto de menires da península ibérica [7]. Contudo, para Portugal, este monumento pré-histórico é de grande importância, já que certos historiadores acreditam que aqui se tenha erguido um dos primeiros menires de Portugal, pela sua relação com os restantes do território português, marcando assim, o início da sedentarização de um povo que começa a lavrar e a cuidar de uma terra, que mais tarde, se torna nossa.

Veja este vídeo que preparamos para si, que o transportará para os lindos prados alentejanos e ao seu santuário pré-histórico onde hoje é convidado a conhecer para celebrar o inicio do verão!

Referências:

[1] Pedras que são Menires que são Monumentos. Acedido em: 19, Junho, 2024, em: https://ensina.rtp.pt/artigo/pedras-que-sao-menires-que-sao-monumentos/

[2] Cromeleque dos Almendres. Acedido em: 19, Junho, 2024, em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cromeleque_dos_Almendres

[3] Menir. Acedido em: 19, Junho, 2024, em:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Menir

[4] O que são menires e cromeleques | uma pequena viagem por alguns monumentos megalíticos em Portugal. Acedido em: 19, Junho, 2024, em: https://citaliarestauro.com/o-que-sao-menires-e-cromeleques/

[5] Celebrating the Summer Solstice. Acedido em: 20, Junho, 2024, em:  https://coinstreet.org/latest/celebrating-summer-solstice

[6] COMO FOI CONSTRUÍDO O STONEHENGE. Acedido em: 20, Junho, 2024, em: https://www.historiadasartes.com/nomundo/arte-na-antiguidade/pre-historia/stonehenge/ 

[7] Cromeleque dos Almendres. Acedido em: 20, Junho, 2024, em: https://www.infopedia.pt/artigos/$cromeleque-dos-almendres

Créditos:

Texto, fotos e vídeo de autoria própria – fotos tiradas durante a nossa visita ao distrito de Évora e ao Menir e Cromeleque dos Almendres.

Musica do vídeo: Trama sonora do filme The Lord of the Rings.

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