Iniciou-se o calendário das feiras medievais – imperdível pelos amantes dessa época histórica que viu a nacionalidade portuguesa nascer envolta de melodias Celtas. Esse som inconfundível de gaita-de-foles, foi por nós ouvido no fim de semana passado enquanto passeávamos por Viana do Castelo: uma banda vestida com um traje folclórico português, tocava uma música tradicional vianense, com esse instrumento musical medieval, como que anunciando a época que se avizinhava, enquanto trocava-nos as voltas…estranheza no início sentimos, seguido da admiração pela originalidade, antes de acabarmos no questionamento de se esse som, que tanto nos transportava para outros tempos, era de facto empresado pelos escoceses. Assim, uma pesquisa sobre o tema iniciou-se e hoje, a partilhamos convosco, para por fim, divulgarmos esse nosso passeio que semeou o tema de hoje.

A origem da gaita-de-foles

Se para o mundo moderno, as suas origens celtas parecem ser uma certeza, para a maioria dos historiadores, é um mito [1]. Porquê? Porque várias versões do mesmo já existiam espalhadas pelo Mediterrâneo ou Meio Oriente; i.e., zonas onde acredita-se ter originado, e muito provavelmente, pelas mãos dos pastores dessas regiões por terem matéria prima para o fazer. Relativamente à sua diversidade, só em Portugal, temos 2 tipos de gaitas-de-foles: a Gaita Transmontana/Galega e a Gaita-de-fole da beira litoral (versões muito mais simples do que a britânica). De onde veio? Registos indicam que tenha sido disseminado pela Europa durante o Império Romano, já que um instrumento semelhante, chamado de aulo, era utlizado pelos soldados durante as marchas e os momentos de lazer [2]. Contudo, certos historiadores afirmam que a sua disseminação é até anterior.

Apesar da sua origem e propagação incerta, sabe-se com certeza que os primeiros registos datam a partir dos meados da Idade Média, onde suas propriedades sonoras agradavam as populações mais modestas, e sua existência, encontra-se registada desde do início da nacionalidade portuguesa (séc. XII). A partir da época do Renascimento (séc. XV), principalmente a partir do período Barroco (séc. XVI), novos modelos, com inúmeras chaves e reguladores, proliferam inicialmente em França e na Alemanha. Posteriormente, chegam à Inglaterra e finalmente, à Irlanda, onde a adaptam à sua estética local. Enquanto isso, na restante Europa, a sua sonoridade passa de moda e cai em desuso a favor dos instrumentos metálicos. Em contraponto, o povo britânico preserva-o, mantendo-o como instrumento de guerra, como os romanos faziam, fazendo-o entoar em todas as suas colonias, melhorando-o e difundindo-o por todo o seu reino e mundo [2]. Só a partir do início do século XX, é que o restante continente europeu volta a olhar para ele de outra forma, tomado pelas saudades do tradicionalismo emergido durante o período Romântico, retomando-o das populações pastoris que até então o tinha preservado. Hoje, saudosamente o ouvimos e orgulhosamente sabemos que esse som característico, também nos pertence e nos acompanhou desde o início da nossa nacionalidade.

Veja este vídeo, e conheça melhor esse passeio que nos levou a tal questionamento.

Conheça o calendário das feiras medievais portuguesas acedendo ao seguinte link e deixe-se numa dela, transportar-se pelos sons e costumes de outros tempos: https://feirasmedievais.pt/calendario-feiras-medievais-portugal-2024/

Referências:

[1] Associação Gaita-de-foles. Acedido em: 18, Ju1ho, 2024, em: https://gaitadefoles.net/gaitadefoles/historia3.htm

[2] Gaita de fole. Acedido em: 18, Ju1ho, 2024, em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Gaita_de_fole

Créditos:

Vídeo de autoria própria. Música inicial do vídeo de Amália Rodrigues, Havemos de ir a Viana, seguido da música da banda de gaitas de São Tiago de Cardielos e acabando na voz de uma vianense, que continua a cantar denotando o regionalismo dessa tão bela região.

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