Sabia que a prestigiada loja da Harrods começou com uma pequena mercearia especialidade na venda de chás? E que possui um grande departamento dedicado à decoração de interiores que faz qualquer amante desse mundo nele se perder? De facto, o tema não podia ficar por divulgar.
Assim, depois de lhe dar a conhecer a Galeria Nacional de Londres, e através de um dos seus quadros, fazer-lhe viajar pelas lindas paisagens do rio Tamisa (https://sanperio.com/2024/09/26/visita-a-uma-cidade-pintada-por-claude-monet/), neste post levamos-lhe a conhecer uma das mais famosas e prestigiadas lojas de departamentos do mundo, divulgando-lhe a sua interessante história, assim como alguns dos seus ambientes que mais nos chamaram à atenção na área da arquitetura e da decoração de interiores. De facto, a Harrods não somente comercializa artigos de cosmética, moda, calçado, joalharia, tecnologia, brinquedos e produtos gourmet, como também vende artigos para a casa, e não são poucos: de roupa para a cama, a artigos de cozinha, passando pela tapeçaria, móveis, luminares, decoração e arte, difícil é encontrar a categoria de produtos que não comercializa nos seus 100 000 m2 [0] de venda a retalho distribuído pelos seus 7 pisos.
O seu lema, se rege pela seguinte frase: “Todas as coisas, Para todas as pessoas, Em todo lugar” [0] – se o início e o fim se confirma, já o meio, é questionável, porque nem todos conseguem alcançar, na totalidade, o mundo ali criado, já que só comercializam marcas de luxo, de designers ou de artistas conceituados.
Mas porquê que falamos então da Harrods? Porque ela tem uma grande vantagem: o facto de poder num só espaço, conhecer toda a oferta para o lar das grandes grifes (e.g., Dior, Fendi, Fornasetti, Prada, Versace, Dolce&Gabbana, Villari etc.), o que agiliza o processo decorativo de uma casa, sobretudo na fase da procura de inspirações de referência.
Assim sendo, convido-lhe a ler em primeiro lugar a interessantíssima história dessa empresa, que apesar de um começo humilde soube se reinventar com inovação para chegar até aonde está – sendo assim um exemplo de sucesso com o qual é bom aprender – e depois ver o vídeo que preparamos para si, onde divulgamos as tendências para o lar que mais nos inspiraram durante a nossa visita ao Harrods, para através delas, também vos inspirar – não teríamos nós o lema “where ideas sprout” !
Sabia que a Harrods teve instalada uma das primeiras “escadas” rolantes do mundo?
Usamos aspas para a referir porque esse engenho, instalado na Harrods em 1898, não era uma escada rolante como hoje a conhecemos com degraus, era um tapete rolante inclinado feito em pele pela companhia francesa Piat, contudo parecida à inventada pelo engenheiro americano Jesse Wilford Reno que, dois anos antes, tinha instalado no Old Iron Pier de Coney Island em Nova Iorque. De facto, este último também era contruído com um tapete rolante inclinado, mas em vez de pele, era uma malha de ferro [1] – neste artigo [2] poderá ver fotografias de como era a primeira escada rolante da Harrods que funcionou até 1930 e que mais tarde, deu lugar a um grande hall, onde em 1939 instalou 12 modernas escadas rolantes que permitia viajar para qualquer um dos seus pisos.
Para os mais curiosos sobre o tema das escadas rolantes, estendemo-nos neste paragrafo indicando-lhe que a primeira escada rolante comercial do mundo, com escadas como a conhecemos hoje, foi projetada pelo inventor americano Charles Seeberger e construída pela Otis Elevator Company em 1899 [1]. Uma das suas primeiras instalações foi na loja de departamentos da Macy’s, a Macy’s Herald Square, em Nova York [1], onde pode-se ainda hoje ver a escada rolante mais antiga do mundo ainda em funcionamento – apesar de ter sido inevitavelmente atualizada ao longo dos anos. Assim sendo, podemos dizer que o sector do retalho/moda, também contribuiu para o avanço da engenharia, porque afinal, qual será o maior contributo da engenharia a não ser resolver o problema das pessoas, melhorando a sua qualidade de vida? Neste caso, o da alta sociedade, onde proporcionar uma experiência tão inovadora também ajudou os próprios empresários a fomentarem o seu negócio. Contudo, do lado da Harrods, outros aspetos também a levou a alcançar o seu nicho conforme poderá ver já de seguida conhecendo a interessantíssima história de seu fundador.
História de vida de Charles Henry Harrod e do seu legado
Nascido em 1799, numa aldeia do sudeste da Inglaterra, em Lexden, a sua vida profissional começa em tenra idade na cidade costeira de Clacton, em Essex, como moleiro [4]. Aos 25 anos, parte para a capital e abre no centro de Londres, em Southwark, uma loja de tecidos e retrosaria onde opera durante os 7 anos seguintes. Em 1832, muda de sector, e em 1834 de zona, estabelecendo-se fora do centro de Londres, na zona leste de Londres, em Stepney, onde abre uma mercearia especializada na venda de chás.
Enquanto a França organizava exposições industriais como forma de dinamizar a agricultura e tecnologia do pais, o marido da rainha Vitória, Prince Albert, decide responder ao seu sucesso criando uma versão inglesa da mesma; a primeira feira industrial britânica se agenda para 1851. Com a notícia, Charles Henry Harrod decide em 1849 se preparar para o grande evento explorando uma pequena loja no centro de Londres, perto de onde a feira internacional intitulada por “the Great Exhibition” iria ter lugar, com a esperança de capitalizar com o evento [0]. Essa pequena loja, situada onde a atual Harrods está, foi o início de um sonho que basicamente começou graças à visão de um empresário, contudo, não podemos esquecer uma peça fundamental deste puzzle: o seu filho mais velho, Charles Digby Harrod, que foi quem geriu o próspero negócio de retalho que ali ajudou a crescer [0].
Assim sendo, por essa altura começa a ali também comercializar a sua mercearia e chás com a ajuda de 2 assistentes, 1 homem para fazer entregas e da supervisão do seu filho mais velho. Aos poucos, vai diversificando o negócio, e a um dado momento, passa a vender tanto medicamentos, como perfumes, produtos de papelaria, fruta e legumes, e em 1854, consegue comprar o negócio ao dono do espaço. Em 1856, deixa a sua mercearia em Stepney e em 1861, passa a gestão da sua loja ao seu filho mais velho de 20 anos [6]. Nos 3 anos seguintes, o seu filho consegue comprar-lhe o negócio e em 1866, monta outra mercearia para o seu segundo e último filho Henry Digby Harrod (teve 4 filhos mas 2 morreram à infância) [7] para garantir a autonomia financeira dele também.
O seu filho mais velho consegue levar a Harrods ao estrelato e em 1881, conta com 100 empregados e um negócio que gera uma pequena fortuna [0]. Contudo, uma desgraça acontece e no início de dezembro de 1883, um fogo surge na Harrods: suas chamas consomem o edifício e ele cai como um castelo de cartas.
Se ficar psicologicamente afetado com o evento seria o mais natural, a história conta que o filho mais velho de Charles Henry Harrods não optou por esse caminho: levantou-se, arregaçou as mangas e focou-se em arranjar maneira de na mesma cumprir as obrigações que tinha com os seus clientes; porque afinal, o Natal estava à porta, e na mesma se realizaria. Naquele ano, surpreendentemente, não somente consegue cumprir com todas as encomendas que tinha para o Natal, como também consegue fazer um record de lucro que em pouco tempo [5], o permite reerguer o seu negócio e construir no mesmo lugar a sua loja, mas desta vez, com uma maior grandiosidade. De facto, Charles Digby Harrod não se limitou a simplesmente reconstruir uma loja: construiu um edifício à imagem do seu império; um edifício apalaçado com janelas de estilo Art Nouveau, onde no seu cume, um domo de estilo barroco, finalizava o palácio no qual desejava receber seus clientes – esse edifício é o que actualmente existe e se pode ver na foto de destaque deste post.
Em 1885, o seu pai morre aos 85 anos de idade [6], e Charles Digny Harrods reforma-se em 1889 com 48 anos de idade [0]. Nesse mesmo ano, a Harrods torna-se numa empresa publica e continua o seu legado de se diversificar: na década seguinte cria-se na Harrods um banco, uma agência imobiliária e até um departamento de venda de animais exóticos que durou até 1970 – imagine-se a passear pelo centro de Londres, num dos seus bairros mais requintados, e vê na loja mais luxuosa do mundo, um elefante… se o cliente o deseja, a Harrods satisfaz.
Breve Visita à Harrods
Se a Galeria Nacional de Londres tem uma arquitetura alusiva a um templo de arte, já o hall das escadas rolantes localizado no centro da Harrods, dá a sensação que chegou a um templo dos antigos faraós do Egipto onde a opulência se ostenta.
Enquanto que se deixa como que se levitar com o andamento das escadas rolantes, admira seus detalhes e olha para o seu teto onde um céu noturno estrelado com figuras do zodíaco se mostram. No seu céu azul se perde, e sem aviso prévio, é transportado para um templo do vale dos reis no Egipto, quando nisto, a razão o trás de novo até si com a lembrança da origem do seu penúltimo dono: renovado em 1997 pelo designer William Mitchell a pedido do então dono Egípcio da Harrods, o Sr. Mohamed Al-Fayed [3], pai do último companheiro da falecida princesa Diana, esse hall cumpre de facto o seu designo; o de fazer transportar os seus visitantes a outro mundo.
Esse mundo de extremo luxo, que começa na cave com a comercialização, de entre outros, vinhos e livros, passa para o rés do chão com um lindíssimo espaço de comida gourmet (ao nosso ver, o mais charmoso arquiteturalmente por manter alguma traça do edifício original que se mistura com detalhes contemporâneos) e passa pela fina joalharia e cosmética. Depois de passar pela moda feminina e masculina do primeiro e segundo piso, chega ao mundo tão aguardado da decoração de interiores, e passando pelo quarto piso, dedicado ao mundo infantil, chega ao da inimaginável tecnologia e ao do calçado feminino que simplesmente se intitula por “shoe heaven”. O último piso, dedicado a outro sentido, ao do olfato, apresenta um salão de perfumes que procura criar um perfume único e destinado a quem o deseja. De facto, foi uma viagem a outro mundo, mas connosco trouxemos um mar de inspirações, e algumas delas, partilhamos neste vídeo consigo.
Referências:
[0] Harrods. Acedido em: 06, outubro, 2024, em: https://en.wikipedia.org/wiki/Harrods
[1] Escalator. Acedido em: 07, outubro, 2024, em: https://en.wikipedia.org/wiki/Escalator
[2] The height of sophistication: How Harrods opened London’s first ‘moving staircase’ crafted from leather in 1898… with staff at the top offering cognac to men and smelling salts to ladies who ‘were overcome with joy’. Acedido em: 06, outubro, 2024, em: https://www.dailymail.co.uk/news/article-9829917/How-Harrods-opened-Londons-moving-staircase-crafted-leather-1898.html
[3] Stairway to heaven. Acedido em: 07, outubro, 2024, em: https://thesociologicalreview.org/magazine/march-2022/time/stairway-to-heaven/
[4] Charles Henry Harrod (1799 – 1885). Acedido em: 08, outubro, 2024, em: https://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Henry_Harrod
[5] History of Harrods department store. Acedido em: 08, outubro, 2024, em: https://www.bbc.com/news/10103783
[6] Charles Henry Harrod (1799 – 1885). Acedido em: 08, outubro, 2024, em: https://www.wikitree.com/wiki/Harrod-895
[7] Charles Henry Harrod. Acedido em: 08, outubro, 2024, em: https://www.fiddlebase.com/frister-rossmann/ts-from-1888-to-1925/charles-henry-harrod/
Créditos:
Texto, foto e vídeo produzido pela Sanperio by Isabel, decorrente da sua visita a Londres em 09/2024.
Os ambientes apresentados nos vídeos foram unicamente projetados e montados pelas marcas indicadas no vídeo. Assim sendo, a sanperio by isabel não tem nenhuma autoria sobre os mesmos.
Este post tem por único propósito a divulgação do que a sanperio by isabel viu durante a sua visita ao Harrods de Londres. não tendo assim, nenhuma afiliação como as marcas ou artistas apresentados, nem interesses comerciais.


Deixe um comentário