Conhece Charles Darwin? O grande naturalista, considerado o “pai da biologia moderna”, que foi capaz de explicar a teoria da evolução biológica da espécie? A sua explicação, foi entre outros, o seu grande contributo para a ciência já que deu fruto à teoria da seleção natural que criou. De facto, graças a ela, a humanidade teve a possibilidade de compreender como a vida se transforma de uma espécie para outra, definindo assim, quem nós somos e de onde viemos. Para além dessa sua teoria, ele também contribuiu para o avanço da geologia, botânica e psicologia, assim como definiu as fundações da cosmologia e da sociobiologia [1].

Neste dia mundial das aves migratórias, levamos-lhe a então conhecer o museu da História Natural de Londres [2], onde tanto pela sua arquitetura, como pelo seu acervo, nos perdemos até encontrarmos Charles Darwin numa posição de destaque. Assim, enquanto algumas aves levantam voo no hemisfério norte para iniciarem a sua viagem épica até ao hemisfério sul, damos-lhe a conhecer pelas fotos abaixo, esse museu que entre outros, tanto as estudou, para depois, já pela escrita, lhe dar a conhecer a história de vida do homem por de trás desse cientista, que como um rei, se apresenta neste museu.

Mas porquê que divulgamos a história de vida de Darwin? Porque também aprendemos com ela: aprendemos que o caminho que cada um de nós leva para construir o seu legado pode não ser linear; pode ser sinuoso e nele até nos perdermos, mas se durante a nossa jornada, nunca apagar-mos a chama que por dentro nos ilumina e nos torna feliz, e se a sua prática ajudar o próximo, então por fim, muito provavelmente alcançaremos o nosso designo, e por consequência, o nosso legado.

Breve História de vida de Charles Darwin

Charles Darwin nasceu em 1809, no seio de uma família conceituada e abastada do condado de Shrewsbury; a oeste da Inglaterra. Em 1825, devido ao seu interesse precoce pela história natural, e motivado pelo seu pai médico, vai estudar medicina para a universidade de Edimburgo. Contudo, Darwin tem dificuldade em ver sangue, pelo que opta por frequentar encontros naturalistas enquanto as aulas macabras de cirurgia da época se davam. Com o passar do tempo, Darwin apercebe-se que de facto medicina não é o que quer fazer, pelo que abandona o curso, mas traz consigo bons conhecimentos de taxidermia e botânica. O seu pai dececionado, matrícula então o filho num bacharelato de artes na Christ´s College em Cambridge, com a intenção de ele depois perseguir uma carreira clériga anglicana; na época, era comum os intelectuais da igreja complementarem os seus estudos teológicos com os das ciências naturais por na época acreditar-se que permitia melhor “apreciar as belezas divinas”. Durante o seu tempo em Cambridge, a sua forma de pensar muda e se enraíza nos ensinamentos de alguns escritores, nomeadamente nos de John Herschel, que dizia que: “a maneira mais efetiva para entendermos as leis divinas, era através do pensamento dedutivo baseado na observação” [3].

Apesar de conseguir concluir o bacharelato em Arte e continuar os seus estudos em teologia para se tornar padre, o seu profundo interesse pela ciência natural o leva a se tornar por fim naturalista; estudando botânica, zoologia e geologia. Assim, aliando à sua nova forma de pensamento, a sua formação em artes e estudos iniciais de medicina, produz gravuras científicas (e.g. desenhos anatómicos de escaravelhos) que lhe exige capacidade de estudo e observação. Contudo, foi numa grande expedição de investigação científica pelo hemisfério Sul, a bordo do navio HMS Beagle entre 1831 e 1836, que marca o início das suas grandes descobertas [4]. O seu trabalho a bordo, era de procurar novas plantas ou espécies de animais ainda não conhecidas e documentá-las, assim como analisar geologicamente os sítios por onde passasse – um trabalho que o jovem naturalista adorou fazer e que lhe proporcionou um mar de assuntos para investigar que lhe fervilhou a mente. Um dos mais importantes, foi durante a sua expedição pelas Ilhas Galápagos em 1835, onde Darwin descobre que de ilha para ilha, a ave tentilhão possuía ligeiras diferenças adaptadas ao tipo de alimento que encontrava, pelo que o estudo da adaptação dessas aves ao seu habita, e da sua evolução aos mesmos, foi o ponto de partida para o estudo da seleção natural das espécies que o acompanhou para o resto da sua vida, formando assim, o seu maior contributo e legado [4].

Passados estes anos todos, continua-se a aprende com a observação das aves. No caso das aves migratórias, por exemplo, hoje sabemos que dependem de ecossistemas saudáveis para sobreviverem às suas longas jornadas. De facto, essas aves que empreendem por esta altura uma nova viagem épica, desde os territórios de nidificação por toda a Europa, até às zonas de invernada, geralmente os territórios africanos, deparam-se cada vez mais com a escassez de insetos ricos em energia e proteína, o que dificulta a sua migração e por consequência, reprodução [5].

Infelizmente, muitas dessas aves estão ameaçadas pelas mudanças naturais causadas pela ação humana; como o uso excessivo de pesticidas e o cultivo de monoculturas industriais. A boa notícia, é que podemos fazer a diferença: ao escolhermos alimentos biológicos ou não produzidos de forma industrial, estamos a ajudar a proteger esses ecossistemas e, por consequência, as aves migratórias. Assim, o nosso apelo para este Dia Mundial das Aves Migratórias é que possamos em maior número nos deixar levar por hábitos mais sustentáveis.

Referências:

[1] Clements, J. (2006). Darwin´s Notebook. The History Press.

[2] Museu de História Natural de Londres. Acedido em: 12, outubro, 2024, em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_de_Hist%C3%B3ria_Natural_de_Londres

[3] Charles Darwin. Acedido em: 12, outubro, 2024, em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin

[4] HMS Beagle: Darwin’s Trip around the World. Acedido em: 12, outubro, 2024, em: https://education.nationalgeographic.org/resource/hms-beagle-darwins-trip-around-world/

[5] Dia Mundial das Aves Migratórias 2024. Acedido em: 12, outubro, 2024, em: https://www.turismodeportugal.pt/pt/Agenda/Paginas/dia-mundial-aves-migratorias.aspx

Créditos:

Texto e fotos do museu produzido pela Sanperio by Isabel, decorrente da sua visita a Londres em 09/2024.

Foto de destaque de bess.hamiti@gmail.com por Pixabay

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