Deixando para traz a Cidade onde o primeiro rei de Portugal viveu e morreu, i.e., Coimbra, rumamos para norte, mais precisamente para Guimarães, onde Dom Afonso Henriques terá muito provavelmente nascido [1].
Se hoje é o berço da nacionalidade portuguesa, nos seus primórdios, era a sede do condado Portucalense que na época era um território pertencente ao Reino de Leão/Espanha, correspondente à região entre Douro e Minho [2]. A sua sede, inicialmente apelidada de Vimaranis [3], alusivo ao nome do primeiro conde do condado, é para todo sempre recordado na forma como ainda hoje apelidamos os residentes de Guimarães: os Vimaranenses.
Quem foi então esse conde que conseguiu ficar lembrado? Foi um fidalgo cavaleiro e chef militar de origem galega, de nome Vímara Peres, que reconquistou o território aos mouros da região do Porto no ano de 868, tornando-se no mesmo ano, o primeiro conde de Portucale. O seu último conde, o infante Dom Afonso Henriques, consegue transformar o condado herdado, numa nação independente, contra à vontade da sua mãe que tinha pretensões contrárias. Pretensões essas, que fizeram as tropas da sua mãe D. Teresa de Leão e do seu amante Galego D. Fernão Peres de Trava, desfilarem no campo de São Mamede em Guimarães, para apoderar-se da governação desse condado que o seu filho conseguiu travar sobre a vista norte do castelo de Guimarães que cristaliza esse momento medieval pela sua arquitetura [4].
Contudo, se a sua arquitetura nos remete para o momento, podemos dizer que é com fantasia, já que aquando essa batalha, ele era muito mais simples; com um recinto mais pequeno, sem os seus oito torreões no seu perímetro e a sua grande torre central, intitulada por torre de mensagem, porque foram à posteriori adicionados na segunda metade do século XIII pelos seus sucessores.
Apesar da sua importância para a história portuguesa, a partir do século XVI, conhece anos de abandono e decadência e foi apenas a partir do século XIX, que o povo olha novamente para ele: em 1881, é classificado de Monumento Nacional e entre 1936 e 1940, restaurado pelo patriótico Estado Novo, que o eleva à condição emblemática de representar a fundação da nação [5]. Contudo, a fundação desta nação levou muito mais do que algumas batalhas suplantadas por este. De facto, apesar da soberania portuguesa ser assinada entre Portugal e Espanha em 1143, ela só foi reconhecida pela Igreja Católica em 1179, muito graças às conquistas de Dom Afonso Henrique que tinha conseguido mais que duplicar o território herdado continuando a reconquista cristã inicialmente iniciada. Assim sendo, podemos dizer que foi por devoção católica e valentia que esta nação se consolidou, já que o desejo da independência do Reino ia muito para além do desejo de poder.
De facto, aos 20 anos de idade, Dom Afonso Henriques se arma cavaleiro da Ordem dos Templários e desde o início da fundação de Portugal, registos indicam que os Cavaleiros Templários lutaram ao lado de D. Afonso Henriques; tanto no campo de batalha em São Mamede, como nos territórios conquistados que formaram a futura nação [6] – compreendo assim o porquê de terem mais tarde recebido tantas doações e terras portuguesas em agradecimento. A mais conhecida, foi Tomar, já que formou a sede portuguesa desta ordem, que séculos mais tarde, foi extinta pelo rei Francês da época, e secretamente protegida, pelo então rei de Portugal, o rei Dom Dinis, que os reenquadrou numa nova Ordem religiosa criada por si: A Ordem militar de Cristo [7], que mais tarde viria a acompanhar e financiar as grandes expedições portugueses durante época áurea dos descobrimentos, assegurando que a fé cristã fosse levada para além-mar [8].
Posto isto, uma questão existencialista surge: será que a fundação de Portugal foi o desejo de um só homem ou um projeto de uma ordem religiosa? Acedendo ao site da antiga Ordem dos Templário [6], uma informação enigmática se revela: é dito que importantes figuras eclesiásticas da época, como Bernardo de Claraval, Hugo de Payens e outros cavaleiros templários, criam criar uma nação templária independente no extremo ocidente da Europa com um dos seus como rei [6] [9] … terá sido Dom Afonso Henriques esse rei? Ou seja, será que Portugal foi na verdade inicialmente criada com a intenção de se tornar numa nação templária? Nunca saberemos a 100%, mas a história da sua fundação se alinha com esta pretensão dando compreensão à célebre frase que no hino se canta com emoção de sermos um nobre povo e uma nação valente por sentirmos já termos servido uma causa maior.
Referências:
[1] Qual o local do nascimento de D. Afonso Henriques? . Acedido em: 20, fevereiro, 2025, em: https://www.publico.pt/2018/09/27/opiniao/noticia/qual-o-local-do-nascimento-de-d-afonso-henriques-1845410
[2] Condado Portucalense. Acedido em: 20, fevereiro, 2025, em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Condado_Portucalense
[3] Vímara Peres. Acedido em: 20, fevereiro, 2025, em: https://pt.wikipedia.org/wiki/V%C3%ADmara_Peres
[4] Cerco de Guimarães. Acedido em: 20, fevereiro, 2025, em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerco_de_Guimar%C3%A3es
[5] Castelo de Guimarães: Aqui nasceu Portugal. Acedido em: 20, fevereiro, 2025, em: https://pacodosduques.gov.pt/monumentos/castelo-de-guimaraes/
[6] O Condado Portucalense, a Infância de D. Afonso Henriques e a Relação com os Templários. Acedido em: 20, fevereiro, 2025, em: https://opctj.pt/o-condado-portucalense-a-infancia-de-d-afonso-henriques-e-a-relacao-com-os-templarios/
[7] Templários. Acedido em: 20, fevereiro, 2025, em: https://www.cm-tomar.pt/index.php/visitar/o-que-visitar/templarios
[8] Ordem de Cristo. Acedido em: 20, fevereiro, 2025, em: https://historialuso.arquivonacional.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6597:ordem-de-cristo&catid=2083&Itemid=121
[9] Primeiro Rei de Portugal Era Cavaleiro Templário. Acedido em: 20, fevereiro, 2025, em: https://www.filosofiaesoterica.com/primeiro-rei-de-portugal-era-cavaleiro-templario/
Créditos:
Trabalho de pesquisa e texto da Sanperio by Isabel

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